A conectividade sem fios e o 5G estão a mudar a forma como vivemos e trabalhamos, mas como irão estas tecnologias ser integradas? Conversei com Bruno Tomas, CTO da Wireless Broadband Alliance (WBA), para obter suas ideias sobre integração, colaboração e desenvolvimentos futuros.
P: Bruno, você pode começar contando um pouco sobre sua experiência e seu papel na WBA?
Bruno: Absolutamente. Sou engenheiro de formação, licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores e mestre em Sistemas de Telecomunicações. Iniciei minha carreira na Portugal Telecom e posteriormente no Brasil, com foco em padrões de rede. Entrei na WBA há cerca de 12 anos e minha função é principalmente definir padrões para interoperabilidade e integração perfeitas entre Wi-Fi, 3G, LTE e agora 5G. Na WBA, reunimos fornecedores, operadoras e integradores para desenvolver especificações técnicas e diretrizes que impulsionem a inovação e a usabilidade em redes sem fio.
P: Quais são os principais desafios para alcançar a integração perfeita da tecnologia sem fio e 5G?
Bruno: Um dos maiores desafios é garantir que o nosso trabalho se traduza em casos de utilização do mundo real, especialmente em ambientes empresariais e públicos. Por exemplo, na fabricação ou no armazenamento, as estruturas metálicas e as interferências podem interromper a conectividade, por isso precisamos de soluções robustas para iniciantes. Na WBA, trabalhamos com nossos parceiros nas comunidades de fornecedores, chipsets e dispositivos e integradores para enfrentar esses desafios criando orientações testadas em campo. O mais importante é a inovação. Por exemplo, o nosso conceito OpenRoaming ajuda a permitir transições perfeitas entre redes, incluindo IoT, reduzindo a complexidade para gestores de TI e CIOs.
P: Você pode explicar como as “Tiger Teams” da WBA contribuem para essas soluções?
Bruno: As equipes Tiger são grupos de trabalho profissionais dentro de nossa aliança. Eles reúnem especialistas em tecnologia de empresas como AT&T, Intel, Broadcom e AirTies para trabalharem juntos na solução de desafios específicos. Por exemplo, no nosso grupo de integração 5G e Wi-Fi, os membros definem requisitos e cenários para indústrias como a aeroespacial ou a saúde. Ao fazer isso, garantimos que nossos conselhos sejam práticos e possam ser usados em campo. Esta abordagem colaborativa ajuda a impulsionar a inovação ao mesmo tempo que aborda os desafios do mundo real.
P: Você mencionou o OpenRoaming antes. Como isso ajuda empresas e consumidores?
Bruno: O OpenRoaming simplifica a conectividade, permitindo que os usuários se movam perfeitamente entre redes Wi-Fi e celulares, sem login ou configuração manual. Imagine um hospital onde os médicos se deslocam entre edifícios enquanto utilizam tablets para cuidar dos pacientes, apoiados por camadas reforçadas de segurança. Com o OpenRoaming, eles podem permanecer conectados sem interrupções. Da mesma forma, para as empresas, minimiza a necessidade de amplo suporte de TI, reduzindo custos e garantindo um serviço de alta qualidade.
P: Qual é o status atual da adoção de tecnologias como 5G e Wi-Fi 6?
Bruno: A adoção está a crescer rapidamente, mas de forma desigual entre regiões. O Wi-Fi 6 é um divisor de águas, oferecendo melhor modulação e gerenciamento de espectro, tornando-o ideal para ambientes de alta densidade, como fábricas ou estádios. Do lado do 5G, foram implementadas redes privadas, especialmente em indústrias como a indústria transformadora, mas a integração com os sistemas existentes continua a ser um obstáculo. Na Europa, os desafios regulamentares e de infra-estruturas abrandaram o desenvolvimento, enquanto este acelerou nos Estados Unidos e na Ásia-Pacífico.
perguntar: Que papel você acha que a inteligência artificial desempenhará na convergência entre wireless e 5G?
Bruno: A inteligência artificial é fundamental para otimizar o desempenho da rede e tomar decisões em tempo real. Na WBA, lançamos iniciativas para integrar inteligência artificial em redes sem fio para ajudar os sistemas a prever e se adaptar às necessidades dos usuários. Por exemplo, a inteligência artificial pode orientar a direção da rede – decidindo se um dispositivo deve permanecer em Wi-Fi ou mudar para 5G com base na qualidade do sinal e nos padrões de utilização. À medida que as redes se tornam mais complexas, este tipo de automação se tornará crítico.
perguntar: Olhando para o futuro, o que mais o entusiasma no futuro da tecnologia sem fio e do 5G?
Bruno: O potencial de convergência para permitir novos casos de uso é incrivelmente estimulante. Quer se trate de cidades inteligentes, produção avançada ou experiências imersivas em AR e VR, as oportunidades são infinitas. O Wi-Fi 7 trará maior capacidade e cobertura, permitindo velocidades de gigabit em ambientes densos como estádios ou centros de cidades. Em vez disso, começamos a pesquisar o 6G. Uma tendência é óbvia: o Wi-Fi deve ser integrado na estrutura 6G para alcançar a densificação. Na WBA, estamos empenhados em garantir que estes avanços sejam acessíveis, interoperáveis e sustentáveis.
Obrigado Bruno!
Nota: O Relatório da Indústria WBA 2025 já está disponível para download. Clique aqui para saber mais.
O posto Bridging Wireless e 5G apareceu pela primeira vez no Gigaom.



