Ciência e tecnologia

Pentágono dá ultimato à Anthropic sobre política de IA, dizem fontes

A política de IA do Pentágono está no centro de uma disputa de alto risco com a Anthropic. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos emitiu um ultimato à empresa de inteligência artificial: flexibilizar suas restrições de uso militar até sexta-feira às 17h01 ou enfrentar consequências drásticas. Certamente, esta pressão ocorre enquanto o Pentágono utiliza a tecnologia da Anthropic como parte de um programa piloto de US$ 200 milhões. O secretário de Defesa Pete Hegseth ameaçou invocar a Lei de Produção de Defesa, legislação da Guerra Fria que concede ao governo autoridade para direcionar empresas privadas. Neste artigo, exploramos os detalhes deste confronto entre regras de IA corporativas e necessidades de inteligência artificial do Pentágono.

Pentágono emite ultimato à Anthropic com prazo até sexta-feira

Na terça-feira, Dario Amodei compareceu ao Pentágono para uma reunião com Pete Hegseth. Durante o encontro, o secretário de Defesa estabeleceu um prazo final: sexta-feira às 17h para a Anthropic flexibilizar suas políticas de uso militar. O governo exige acesso irrestrito à tecnologia Claude para “todos os usos legais”.

Hegseth não aceitou objeções. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, ele interrompeu Amodei no meio da frase, declarando que “nenhum CEO vai dizer aos nossos combatentes o que podem ou não fazer”. As autoridades do Pentágono deixaram claras duas ameaças concretas caso a empresa não cumprisse as exigências até o prazo estipulado.

A primeira opção envolve a invocação da Lei de Produção de Defesa, legislação da Guerra Fria que concede ao governo capacidade de influenciar empresas em prol da defesa nacional. A segunda ameaça consiste em rotular a Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos, designação normalmente reservada a adversários estrangeiros como Rússia ou China.

O contrato em jogo tem valor de US$ 200 milhões. Apesar das pressões, fontes familiarizadas com o assunto confirmaram que a Anthropic não planeja recuar de suas posições.

Linhas vermelhas da Anthropic sobre uso de IA militar

A Anthropic estabeleceu duas restrições invioláveis para o uso militar do Claude. A primeira proíbe vigilância doméstica em massa de cidadãos americanos. A segunda bloqueia o uso em armas totalmente autônomas. Amodei argumenta que combinar dados aparentemente banais como localização, navegação e relações permite montar perfis completos da vida de qualquer pessoa, ameaçando liberdades civis.

Segundo a empresa, os modelos atuais não são confiáveis o suficiente para selecionar e atacar alvos sem humanos no processo decisório. Especialistas alertam para o viés de automação: quando as regras de uso são vagas, operadores tendem a confiar demais nas recomendações da máquina. A IA corrói o julgamento humano gradualmente até que o operador pare de questioná-lo.

O Pentágono exige que fornecedores aceitem “qualquer uso legal” da tecnologia e removam essas salvaguardas. Amodei afirmou que o texto contratual recebido praticamente não avançou em impedir o uso do Claude para vigilância em massa ou em armas totalmente autônomas. Trechos apresentados como concessão continham brechas jurídicas que permitiriam ignorar as salvaguardas.

Apesar do impasse, a tecnologia da Anthropic já opera em redes classificadas, laboratórios nacionais e diversas agências de segurança para análise de inteligência, simulações e cyberoperações.

Quais são as consequências se Anthropic não cumprir?

Sob essas circunstâncias, Hegseth formalizou a classificação da Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos na quinta-feira. A medida, inédita para uma empresa americana, proíbe fornecedores militares de utilizarem o Claude em contratos com o Departamento de Defesa. O rótulo historicamente se aplicava a firmas estrangeiras ligadas a governos adversários.

Trump ordenou que todas as agências federais deixassem de usar a tecnologia da Anthropic em seis meses. O presidente alegou que a recusa da empresa “está colocando vidas americanas em risco”. Além disso, empresas contratadas pelo governo não poderiam manter atividades comerciais com a Anthropic.

A ameaça de invocar a Lei de Produção de Defesa permanece em vigor. Essa legislação permite ao governo compelir empresas a fornecer tecnologia mediante penalidades criminais. A Anthropic contestou judicialmente a classificação de risco, argumentando que as ações são “sem precedentes e ilegais”. No entanto, um tribunal rejeitou o pedido da empresa em abril, afirmando que o montante exato dos prejuízos financeiros não estava claro.

Na realidade, a ruptura já produziu movimentações de mercado. A OpenAI assinou acordo com o Departamento de Defesa focado em implementação de modelos em redes classificadas. Mais de 270 funcionários da Amazon, Google e Microsoft assinaram petição defendendo a Anthropic e rejeitando contratos com armas autônomas.

Conclusão

De fato, o confronto entre o Pentágono e a Anthropic expõe tensões fundamentais entre inovação tecnológica e segurança nacional. O ultimato do governo, com prazo até sexta-feira, coloca em jogo um contrato de US$ 200 milhões e princípios éticos sobre vigilância em massa e armas autônomas. Significativamente, a classificação da empresa como risco para a cadeia de suprimentos marca precedente perigoso. Este caso define como democracias equilibram necessidades militares com salvaguardas contra abusos de inteligência artificial.