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As Melhores Séries de 2025 e o Futuro Épico da Televisão

O calendário de 2025 já caminha para o seu encerramento, consolidando um ano marcante para a qualidade narrativa nas telas. Entre surpresas cativantes e produções que conquistaram o público de forma instantânea, o Metacritic já bateu o martelo sobre o que realmente funcionou nesta temporada. Enquanto celebramos os grandes acertos do momento, a engrenagem da indústria audiovisual não para e já começa a movimentar peças para os próximos anos, prometendo obras históricas de peso que devem dominar as futuras discussões da crítica.

O Veredito da Crítica: Os Destaques do Ano

Abrindo a lista das produções mais bem avaliadas, temos o drama adolescente “Para Sempre” (Metascore 84). Lançada em maio pela Netflix, a série adapta a obra de Judy Blume e acompanha os jovens Keisha Clark e Justin Edwards lidando com o amor-próprio e as descobertas do ensino médio. A produção ganhou pontos justamente por modernizar o material original sem perder a sensibilidade ao tratar sobre pertencimento.

Logo em seguida, a expansão de uma franquia clássica surpreendeu até os mais céticos. “Alien: Earth”, que chegou ao Disney+ em agosto, alcançou a nota 85. Ambientada dois anos antes do longa original de 1979, a trama investiga a queda de uma nave na Terra, um evento que atrai a atenção de militares e corporações rivais. O resultado final foi considerado por muitos como o respiro mais satisfatório que a saga alienígena teve em anos.

O jornalismo investigativo ganhou uma aura mais sombria em “Verdade Oculta”, também do Disney+. Com Ethan Hawke encarnando o repórter Lee Raybon, a narrativa desvenda as conspirações em torno de uma família influente de Tulsa. Ostentando um Metascore de 86, a série que estreou em setembro mistura doses de humor, filosofia e indignação, fugindo completamente das fórmulas tradicionais do gênero. Empatada na mesma nota de avaliação, “Pluribus” marca o retorno do aclamado Vince Gilligan. Disponível na Apple TV desde novembro, a ficção científica nos joga em um mundo onde a felicidade é uma constante inabalável, até que um único indivíduo resolve questionar essa utopia. O projeto foi amplamente aplaudido por sua extrema ambição narrativa.

O segundo lugar no pódio do ano pertence a uma animação adulta. Raphael Bob-Waksberg entregou “Long Story Short” na Netflix em agosto, atingindo expressivos 89 pontos. Acompanhando o cotidiano de uma família judia ao longo de doze meses, a história usa viagens no tempo para costurar comédia e carga emocional. A obra evocou inevitáveis comparações com o sucesso anterior do criador, “BoJack Horseman”, por ser incrivelmente comovente e divertida na mesma medida.

A grande coroa de 2025, no entanto, ficou com “Adolescência”. A minissérie britânica da Netflix fez história com seu rigor técnico: cada um dos quatro episódios foi inteiramente filmado em um único plano-sequência. A narrativa foca no impacto devastador na família e na comunidade de Jamie Miller, um jovem acusado de assassinar uma colega. Tratada pela crítica como algo que beira a perfeição televisiva, a produção consagrou o brilhantismo da direção e a intensidade das atuações de Owen Cooper e Erin Doherty.

Um Olhar para o Futuro: O Retorno a Roma

Enquanto o público ainda digere as obras-primas deste ano, os bastidores globais já preparam o próximo grande fenômeno. O cineasta vencedor do Oscar Bille August, que recentemente quebrou recordes de audiência na Europa com a série “O Conde de Monte Cristo”, revelou seu novo alvo. Ele agora volta suas lentes para a grandiosidade e a brutalidade da Roma Antiga.

O projeto, que carrega o título provisório de “Julius Caesar”, promete um mergulho na figura complexa do ditador romano. Falando à Variety, August fez questão de pontuar a urgência contemporânea de revisitar esse período. A República de Roma foi, afinal, a primeira democracia corroída por um governante eleito que acabou concentrando poderes absolutos. O roteiro vai mapear a psicologia de um líder inebriado pela autoridade, narrando a trajetória que vai desde os grandes triunfos militares até sua ruína definitiva.

Para estruturar essa visão, o diretor dinamarquês retoma a parceria com o roteirista Greg Latter. A execução financeira e logística fica nas mãos da Palomar, produtora italiana pertencente ao grupo Mediawan, que também esteve por trás do sucesso de “Monte Cristo”. As gravações estão agendadas para o início de 2027 na Itália, embora os nomes do elenco ainda sejam mantidos sob total sigilo.

Carlo Degli Esposti, CEO da Palomar, enxerga no cenário político atual o terreno perfeito para essa história. O executivo argumenta que, em um mundo ainda assombrado pelo espectro das guerras, retratar um homem tão cheio de contradições é fundamental. César é descrito por ele como um orador único e um estrategista generoso, mas simultaneamente cruel, consumido pelo desejo de conquistar e manter sua hegemonia a qualquer preço.

A trajetória do comandante romano já rendeu momentos marcantes na televisão antes. Produções aclamadas como a premiada “Roma” (da parceria HBO/BBC), a minissérie da TNT do início dos anos 2000 estrelada por Jeremy Sisto, e o recente docudrama da BBC provam o apelo eterno do personagem. Porém, o histórico recente de Bille August com adaptações de época sugere que a nova aposta tem força para se tornar um marco no formato. Se o alcance global conquistado por sua última série servir como indicador, a saga de César já nasce com o potencial de figurar no topo das listas de melhores do ano no futuro.