Ciência e tecnologia

A descoberta do ‘megabloco’ de antibióticos fornece uma nova estratégia para combater superbactérias

É “um avanço emocionante nos esforços para reabastecer o arsenal de antibióticos”, escreveu Stephen Rutherford, especialista em ciências microbianas da Genentech, num artigo de comentários na Nature. “De forma mais ampla, o estudo fornece um roteiro que mostra como a mineração do genoma pode ser usada para identificar novos produtos naturais antibacterianos e estratégias para seu uso.”

A via que os produtos do Mega Group atacam é a via de produção de biotina, também conhecida como vitamina B7. Este nutriente é essencial para o crescimento e a virulência em muitos patógenos humanos e, mais especificamente, é um cofator necessário para que importantes enzimas metabólicas funcionem adequadamente. Algumas bactérias podem captar biotina do ambiente circundante, mas geralmente é raro, e as bactérias conservaram caminhos evolutivamente conservados para sintetizá-la.

Curiosamente, Brown e colegas encontraram um enorme grupo-alvo para a biotina Estreptococo Espécies bem estudadas. Estreptococo São bactérias que vivem no solo e são conhecidas como minas de ouro pela descoberta de moléculas de antibióticos. Deles já foram extraídos muitos produtos naturais, entre eles o antibiótico estreptomicina, medicamento essencial descoberto na década de 1940. No entanto, este enorme grupo tem sido ignorado até agora, talvez em parte porque as bactérias em laboratórios crescem frequentemente em meios ricos em nutrientes.

Nova estratégia

Além disso, quando os investigadores procuram novos antibióticos nos genomas bacterianos, procuram agrupamentos de genes biossintéticos (BGCs) que possam ser responsáveis ​​pela produção de moléculas individuais. Mas a equipa de Brown identificou um grupo de quatro aglomerados – o megaaglomerado – que produzem não apenas uma molécula, mas quatro que funcionam de maneiras diferentes para bloquear a via da biotina. Um estudo cuidadoso revelou que três dos grupos produzem moléculas de antibióticos – estravidina, acidomicina e dapamicina – cada uma inibindo uma enzima diferente na via de biossíntese da biotina. O quarto grupo restante produz ácido 2-metil-7-ceto-8-aminopilargônico, ou α-Me-KAPA, que parece ser uma molécula quimérica que substitui o precursor da biotina, essencialmente sequestrando a via para produzir um análogo inútil da biotina.



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