A coleção de colmeias da família Kapp está localizada em um pequeno espaço aberto na densa floresta de mangue de Isla Arena, no México. A matriarca da família, Elma Guadalupe Cap Houchen, vestida com traje de proteção, levanta a tampa de uma das colméias e explica que não tinha interesse por abelhas até dois anos atrás. Sem contar que seu pai era apicultor e que o sobrenome de Cap, coincidentemente, significa “abelha” em maia.
“Quando eu era criança, tinha muito medo deles”, diz ela. “Uma vez fui mordido e nunca mais quis acompanhar meu pai.”
Hoje ela é uma apicultora apaixonada. Essa transformação ocorreu depois que seu filho Santiago Francisco Tococh Cap, técnico em agroecologia especializado em apicultura, ficou ferido em um acidente de moto. Ele não podia mais se importar com um projeto experimental de apiário que havia iniciado na Isla Arena com o objetivo de criar abelhas para ajudar a polinizar o meio ambiente e proteger os manguezais. “O resto da família participava do cuidado das colmeias”, diz Elma, referindo-se ao marido, Mario Humberto Gomez Martin, e ao filho mais novo, Humberto Emmanuel Gomez Cap.
Por que escrevemos isso?
Os manguezais que capturam e armazenam dióxido de carbono são essenciais para combater o aquecimento global no México. Através da polinização, as abelhas garantem a reprodução dos manguezais.
Santiago, que ainda se recupera, também instalou um meliponarim – uma estrutura de madeira com telhado de folhas de palmeira secas para protegê-la do sol e da chuva – no quintal de seus pais. As espécies de abelhas sem ferrão encontradas no Melibonarium são nativas da região desde os tempos pré-colombianos. “Eles fazem parte da nossa identidade e devemos continuar a nutri-los para que não desapareçam”, diz Elma a um grupo de turistas que visita Meliponarim.
No ano passado, a cooperativa familiar chamada “Honey Kaab” e quatro pequenos apicultores dos estados de Campeche e Yucatán criaram uma rede de produtores de mel de mangue. Permite aos apicultores partilhar o seu conhecimento e experiência em conservação ambiental e procura canais de comercialização para o mel de mangal, que é ligeiramente mais salgado do que a maioria das outras variedades.
Os manguezais são essenciais no combate ao aquecimento global porque capturam e armazenam dióxido de carbono. Através da polinização, as abelhas garantem a reprodução dos manguezais, cujo ecossistema também funciona como barreira protetora do litoral.
“Sozinhos não mudaremos o mundo, mas todo esforço, por menor que seja, conta”, afirma Elma.
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