Não é sempre que Sam Neill, que morreu na segunda-feira, carrega um filme sozinho, mas o que ele fez nesses poucos filmes, de forma simples e confiável, é igualmente importante. Seu sutil trabalho coadjuvante permitiu que algumas das maiores atrizes de seu tempo conseguissem seus primeiros fogos de artifício. E mesmo que ele protagonize um dos maiores sucessos de bilheteria de Hollywood, é preciso uma certa dose de confiança para dividir os holofotes com os dinossauros. Aqui estão os destaques de Neill, que valem a pena assistir novamente para melhor apreciar a presença sofisticada que muitas vezes reside nos bastidores.
‘Minha carreira brilhante’ (1979)
Sam Neill e Judy Davis no filme “Minha Carreira Brilhante”.
(Arquivos Michael Ochs/Imagens Getty)
O primeiro longa-metragem de Gillian Armstrong foi um marco na história da New Wave australiana e do cinema feminista, marcando a chegada da grande Judy Davis e contendo a luta de travesseiros mais erótica (e possivelmente a mais longa) da história do cinema. Isso funciona tão bem por vários motivos, um dos quais é a presença de Neill como o encantador pretendente da teimosa heroína de Davis. Situado em 1897 na zona rural da Austrália, o filme segue Sybylla de Davis, que sonha em se tornar escritora, uma aspiração incomum considerando a pobreza de sua família e as normas sociais. Então ele conhece um rico encantador, interpretado por Neill, e ele a pede em casamento. Esta deveria ter sido uma decisão fácil, especialmente porque Sybylla o amava e Neill o tornava tão atraente. O fato de Sybylla se recusar, escolhendo a independência ao invés do amor e a possibilidade de eternas brigas de travesseiros, torna “Minha Brilhante Carreira” tão ousado e emocionante. – Glenn Whip
‘Possessão’ (1981)
Isabelle Adjani e Sam Neill no filme “Possessão”.
(Imagem metrográfica)
Está sendo refeito com Margaret Qualley e o principal motivo da fama do filme continua sendo a performance desequilibrada de lançamento de feitiços de Isabelle Adjani, uma coleção ainda incomparável de desajustados. Mas alguns argumentam que Adjani não poderia ter chegado lá sem a superficialidade do marido de sua personagem, interpretado por Neill como um dos espiões menos interessantes da década de 1980. (Ele já a está traindo quando o filme começa.) Ele também não parece talhado para ser um homem de família, mas o lamento de Neill por ter sido traído, por ter dificuldade em agir com confiança, pode ser o que o leva à automutilação. – Joshua Rothkopf
‘Conflito Final’ (1981)
Mais de uma década antes de seu papel em “Jurassic Park”, Neill desempenhou um papel arrepiante como o Anticristo em “The Final Conflict”, mais conhecido como o terceiro filme da franquia “The Omen”, sobre um casal que involuntariamente adota o filho de Satanás. Nesta segunda sequência, Neill interpreta o adulto Damien Thorn, que agora é o embaixador dos EUA na Inglaterra e está determinado a impedir a segunda vinda de Cristo. Com um sorriso sinistro e um olhar de aço, Neill faz de Damien seu, lançando uma campanha assassina contra um grupo de padres, com a voz cheia de desdém enquanto jura matar “o Nazareno” quando ele nascer. – Greg Braxton
‘Morto Silencioso’ (1989)
Sam Neill e Nicole Kidman no set do filme “Dead Calm”.
(Arquivos Michael Ochs/Imagens Getty)
Lembramos o thriller claustrofóbico de gato e rato de Philip Noyce principalmente como a descoberta de Nicole Kidman nas telonas. No entanto, e você pode notar um tema aqui, o filme não funcionaria sem Neill, que tem um talento especial para interpretar co-estrelas femininas obstinadas. Kidman e Neill são um casal que embarca em uma aventura marítima para lidar com a perda de seu filho. Eles encontram um estranho de olhos malucos (Billy Zane) em uma escuna que está afundando, levam-no a bordo e as coisas vão para o sul a partir daí. Parte Cary Grant, parte MacGyver, Neill teve um excelente desempenho físico, que desempenhou em papéis de ação bem pagos em Hollywood pelo resto de sua carreira. No entanto, nada se compara à teatralidade de seus sinalizadores aqui. – Glenn Whip
‘Parque Jurássico’ (1993)
Você escolheu dinossauros e não há mal nenhum nisso. Mas agradeço a Neill por compreender a tarefa e não se contentar com os olhares de admiração de Spielberg. Seu Alan Grant é diferente o suficiente para ser considerado espinhoso e um pouco nele. Ele odeia crianças, embora toda a trama, claramente, o aponte na direção oposta. Ele não é durão no nível de Jeff Goldblum, mas é confiante o suficiente para seguir seu próprio caminho e fazer piadas matadoras em cercas de alta tensão. Em termos de atuação, Neill enfrentou algumas forças da natureza (veja acima). Raptor não é nada. – Joshua Rothkopf
‘Piano’ (1993)
Sam Neill no movimento “The Piano”.
(Coleta de critérios)
Muitos dos filmes mais memoráveis de Neill mostram-no defendendo a visão singular de um grande diretor, assim como o aclamado filme de 1993 de Jane Campion. Neill interpreta um fazendeiro escocês desajeitado e ignorante que arranja um casamento por correspondência com a pianista muda Holly Hunter e depois se torna possessivo e movido pelo ciúme e pelo desespero. Nós odiamos isso. Isso não importava para Neill, como ela escreveu em suas memórias de 2023: “É uma honra ser encontrada em segundo violino. do cinema. E eu servi lá.” – Glenn Whip
‘Na Boca da Loucura’ (1994)
Por último, o papel principal. É verdade que é a cena em que Neill, vestindo uma camisa de força, grita coisas como “Não estou louco!” Mas se você é fã de seu estilo heróico um pouco não convencido, o filme de terror de John Carpenter – sobre um investigador de seguros caçando um autor desaparecido como Stephen King – é divertido assistir. Carpenter nunca explica demais as coisas para seus atores (é por isso que você encontra tantas performances ricas e independentes em seus filmes) e o escopo de Neill é óbvio, passando de cínico descrente a verdadeiro crente. Os filmes de gênero prosperam devido ao seu comprometimento total. – Joshua Rothkopf



